terça-feira, 8 de março de 2016

O SAL DA TERRA

Jesus inicia o Sermão do Monte mostrando o significado das coisas no reino de Deus e atribuindo valores relevantes àquilo que era considerado pelo pensamento humanista da época, desprezível. Pobres, mansos, misericordiosos, pacificadores, desprezados da justiça foram, por sua vez, dignos de reconhecimento e atenção em suas palavras.
Assim Jesus ensinou, em seu primeiro discurso, aos discípulos que estavam próximo a ele, a lição que revela como as coisas perdem ou ganham seu real valor. Ele usa o sal metaforicamente para chamar a atenção da responsabilidade atribuída a seus discípulos e diz-lhes: Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens (Mt 5.13).
Apesar de Ele não está fazendo nenhuma referência à deusa de Salus, à saúde, Ele fala de coisa que é do conhecimento dos discípulos. O sal, em sua época, tinha um valor importante na conservação dos alimentos e também no sabor da comida. Foi uma grande descoberta na Roma antiga. O sal era tão extraordinário que os escravos que trabalhavam nas lavouras de seus senhores recebiam-no como pagamento ou recompensa de seu trabalho. Com isso Ele desejava mostrar, em primeira análise, como as coisas podem perder significado se, em um contexto social, não cumprem seu real papel.
Imaginemos numa coisa como o dinheiro que tem um reconhecimento importante na sociedade atual, no mundo todo, se viesse a se tornar algo irrelevante, por exemplo. Sabemos que dinheiro não é fácil de encontrar, porque agrega muitos valores. Mas não é difícil em um país em que a inflação é muito alta encontrarmos, vez por outra, alguma moeda ou até mesmo uma cédula de pequeno valor por onde passamos, desprezadas. Isso ocorre muitas vezes pela desvalorização da moeda que acrescenta com o passar dos dias, meses e anos, um desgaste em seu valor real de compra.
Quando isso ocorre é necessário que se faça uma reposição monetária para atrair um significado de respeito à moeda. Isso se chama correção inflacionária. Porém a correção inflacionária, embora seja importante, apresenta diversas fraquezas da economia de um país, pois traz consigo sua instabilidade econômica. Ou seja, as perdas se acumulam tanto que deixam o salário do trabalhador irrelevante, sua rentabilidade é diminuída.  
Portanto pior ainda seria se não houvesse nenhuma reposição pecuniária aos salários. Se acontecesse, por acaso, de não haver nenhuma correção, chegar-se-ia a um momento em que o dinheiro se desvalorizava totalmente. E aí a pergunta, nesse caso, seria, para que serve o dinheiro? Como já dizia o poeta: “de que me vale um saco cheio de dinheiro pra comprar um quilo de feijão”? Sua função no mercado econômico perderia o sentido de existência por não se encontrar o valor necessário para as transações peculiares a uma sociedade econômica.
Poderíamos espalhá-lo pelas estradas e lugares por onde passássemos e não nos faria falta alguma, por causa de sua desvalorização. E aí aconteceria que passaríamos até por cima dele, pisaríamos nele, com o tempo, não acreditaríamos mais nele, sempre que olhássemos para ele sentiríamos um mal-estar terrível. Da mesma forma que o sal só serve para ser pisado pelos homens quando se torna insípido, seus seguidores, descritos por Jesus à figura do sal da terra, precisavam estar disponíveis à exigência de um compromisso necessário ao cidadão do reino dos céus cuja justiça deveria exceder a dos escribas e fariseus.
Isso significa que a proposta de Jesus para nós é mais excelente do que a melhor análise teológica dos melhores religiosos da época. A doutrina de Jesus é pura sem nenhuma mistura e no final de todo o discurso, Ele mostra-nos que todo aquele que ouve suas palavras e as pratica é comparado ao homem prudente que edificou sobre a rocha. Nada o faz sucumbir. Não nos apartemos, então, da leitura de sua palavra, da oração para que nos faça cumpridores de sua vontade e dê-nos força para que as boas obras que Jesus realiza através de nós resplandeçam aos homens e eles glorifiquem ao Pai que está nos céus.
Jesus, de fato, quer nos salvar da ira de Deus sobre o mundo que vive sua própria lei pela concepção do pensamento e teoria humanistas que apresentam Deus segundo as necessidades humanas. Portanto mantenhamo-nos firmes, em pé ao seu lado, sem nos deixar abalar por nenhuma coisa. Sabendo que as coisas não estão em nosso controle, mas no domínio dEle. Confiemos inteira e completamente nEle que nos ajuda a vencer todas as catástrofes desse mundo que se afasta de Deus a cada instante.

Pb. Francisco Gomes

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